quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Movimento Hippie e a Influência do LSD



Wilhelm Reich, psiquiatra austríaco, que havia sido perseguido por Hitler, foi expulso do partido comunista, preso na década de 50 pelo macartismo, vindo a morrer na prisão em 57 com parte de seus escritos queimados.


Reich foi considerado maldito e proscrito dos círculos oficiais, criou a sexpol, fincada na idéia de que há uma necessária ligação entre a saúde psíquica, a vida sexual e a consciência de classe. Não acreditava na possibilidade de saúde e liberdade num quadro sufocante como o do capitalismo das sociedades industriais de consumo. Pregava que sexo é corpo e mente. Como para o psiquiatra, o capitalismo escraviza o corpo e condiciona a mente, acaba sendo um entrave para a saúde psíquica plena. A revolução seria necessária para uma profilaxia eficaz das neuroses.


(wilihelm reich)
O psiquiatra acabou virando referência para muitos intelectuais dos sixties, guru sexual dos jovens interessados na libertação do corpo, na compreensão dos desejos. Falava-se em amor livre, no slogan da época Make Love, Not War, não havia propriedade privada do corpo. Uma das terapias recomendadas pela contracultura era a sexual, outra pregava o uso de alucinógenos, como o americano, escritor e psicólogo, Timothy Leary que por isso, ficou conhecido como o papa do LSD.


(Timothy Leary)

Para Leary tudo começou em agosto, quando professor de psicologia da universidade de Harvard, experimentou o LSD, droga sintetizada em laboratório, que era vista como analgésico e que podia aliviar a dor física e psíquica, comentava-se também a possibilidade de uso da droga na psicologia e psiquiatria, na medida em que poderia ajudar a compreender o universo do pensamento humano.

A partir dai, Leary começou a defender a tese de que o cérebro humano tem uma infinidade de potencialidades, podendo até operar em dimensões de tempo e espaço inusitadas. Dizia que ácido lisérgico é o passaporte que leva o homem além das previsíveis e limitadas fronteiras da consciência, permitindo-lhe gratificantes viagens de autoconhecimento.

Sua luta desde então, foi à expansão da mente, fornecendo ao homem um terceiro olho, que lhe faria enxergar o mundo com uma profundidade maior. O psicólogo acabou sendo expulso de Harvard; a droga que não era proibida na época tornou-se uma febre na América como a novidade do momento.

Dentre seus usuários, a maioria eram universitários e intelectuais consagrados. O termo psicodélico significa manifestação da mente e passou a ser empregado para se referir a estados de alteração da mente ligados a LSD; o ácido se tornou mais popular que a maconha, sendo adotado pelas diversas comunidades hippies espalhadas pelo mundo. Muitas bandas de rock surgiram para compor trilhas musicais para as viagens psicodélicas como Grateful Dead e Pink Floyd.
















Leary começou a ser visto como fanático, místico, um alquimista distante do universo científico acadêmico, acabou por se transformar no guru lisérgico de uma cruzada religiosa, cujo deus responde pelo nome de LSD.


Além dos jovens alegres e descompromissados que davam o maior destaque às questões comportamentais
e existênciais, havia a ala da juventude engajada nas questões sociais, crente na força da ação política como motor das transformações, conhecida como poder jovem.


Jerry Rubin celebrizou-se diante de uma das principais organizações estudantis dos Estados Unidos e do mundo, a YIP Youth International Party (partido internacional da juventude) acionando a existência de uma comunidade hippie politizada.

A contracultura se misturou com a política; a imagem de Che Guevava se fundiu à de Hendrix na politização da psicodelia. Rubin, dirigente do partido e ex-líder estudantil em Berkeley afirmava que a união da nova esquerda com o estilo de vida psicodélico e, com a maneira de viver, nossa própria existência era a revolução.



Tanto a liberdade individual foi importante para a revolução, quanto à revolução para a liberdade individual e para a revolução cultural que caminhava ao lado da revolução política. Começaram a pipocar no mundo organizações políticas progressistas ou de esquerda. Uma das mais importantes foi SNCC: Students Non Violent Coordinating Committee, dirigido por um líder religioso seguidor de Martin Luther King. Os negros mais exaltados organizaram vários grupos radicais, como o Black Panter, em 1966.




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